06 agosto 2008

antropologia visual da mulher IV


“... é que Narciso acha feio o que não é espelho...”
(Caetano Veloso)

Quem não conhece Narciso?
O mito de Narciso simboliza a vaidade. O consumo da vaidade que nunca cessa. O desejo incessante de ser mais bonita, mais magra, mais atraente, de parecer com a modelo da capa de revistas, de usar a roupa da atriz da novela das oito...

Segundo Mccracken, a revolução do consumo surgiu paralelamente à Revolução Industrial. Essa revolução no consumo, não foi tão somente uma transformação dos gostos, das preferências e dos hábitos de compra, mas significou uma mudança na cultura do mundo. Claro, já existia uma cultura de consumo, mas foi no século XVIII que houve o “boom”: a explosão do consumo; quando se deu o consumo de massa, em que herdar objetos tradicionais dos familiares perdeu a função de distinção social e deu vez aos novos objetos. Consumir o novo virou moda, mas consumir era privilégio da classe nobre.

No século XIX, surgiu a democratização do consumo com a introdução do cartão de crédito, assim, produtos de luxo estavam ao alcance de todos. Porém, a elite buscou se diferenciar da massa, através da boa conduta e da posse dos produtos de fabricação exclusiva. Desde então, o consumo tornou-se uma atividade da massa, causando uma grande mudança social.

Atualmente, consumir é uma prática diária, e realizada de forma homogênea pela sociedade. Os anúncios vendem liberdade, poder, beleza, amigos, vida saudável... Enfim, formas “ideais” de ser. Tratam o consumidor como mero objeto, que uma vez convencido da relevância do produto para sua vida, é lucro garantido. Essa forma “ideal” de ser e essas imagens ideais de beleza são artificialmente criadas para ludibriar os receptores, com o propósito único de vender uma imagem, uma marca.


Nesta campanha publicitária da Dove, fica bem clara a proposta de uma nova definição de beleza. Claro que não deixa de ser uma estratégia (muito boa!) para vender os produtos da marca - que são consumidos por “elas” - , porém é um anúncio menos agressivo, que inspira as mulheres à se aceitarem.

Bons filmes:
Janela da Alma – Documentário (este é introspectivo, reflexivo... mostra o olhar como a janela da nossa alma)
Clube da Luta – Ficção (este discute a relação eu comum x eu que quero ser, é maravilhoso!)
Nunca é tarde para amar - Ficção (este conta a história de uma mulher mais velha - não adepta de pláticas - que se apaixona por um jovem, é lindinho!)

Boas leituras:
Cultura e Consumo – Grant Mccracken (autor do boom do consumo)
O Império do Efêmero – Gilles Lipovetsky
Outra dica é a matéria "Que o luxo seja acessível a todos" de Norma Couri do Jornal do Brasil

P.S.: Déo, obrigada pela paciência em me ajudar a postar o vídeo. Beijos!

Um comentário:

Déo Cardoso disse...

hahahahah.... que nada Raquel... eu também penei pra aprender a fazer isso...
gostei da matéria

abçs

:-Déo